quarta-feira, 15 de novembro de 2017

INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO ERGONOMICA


  • QUAL O MÉTODO OU INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO VOCÊ TEVE MAIS DIFICULDADE EM APRENDER A APLICABILIDADE? FALE UM POUCO SOBRE ELE.
ESCALA DE BORG

      Escala de Borg Denominada escala psicofísica CR-10 de Borg foi criada em 1998 pelo pesquisador de mesmo nome. A primeira escala de Borg foi a escala Ratings of Perceived Exertion (RPE) que foi avaliada e comprovada por meio das correlações elevadas entre a carga de trabalho e a frequência cardíaca de indivíduos saudáveis. Posteriormente foi desenvolvida a escala Category Ratio 10 (CR-10) de Borg que a partir de um conjunto de intensidade de esforço e o auxílio de uma escala que representa o modelo mais indicado para a avaliação do aumento sensorial na 45 descrição de uma função psicofísica de estímulo-resposta em situações de trabalho (BORG, 1998). 
     Por ser subjetiva a Escala de Borg permite apenas confrontar com resultados obtidos em outras avaliações para que o analista encontre a tarefa que mais exige esforço do colaborador segundo sua própria opinião, pois a fidedignidade e a validade dos resultados obtidos com uma escala dependem do que está sendo medido.  
   Procedimento de aplicação da Escala de Borg: Para facilitar o entendimento do colaborador pode-se inserir imagens das tarefas a que se pretende avaliar por meio da Escala, conforme demonstrado na Figura 2. Tomando posse das imagens de cada postura de trabalho que o colaborador se submete é interessante aplicá-las num questionário com a escala descrita logo abaixo. Esta Ferramenta foi utilizada por Falcão (2007) e avaliada com êxito.
     A partir do questionário pronto, deve-se explicar ao colaborador que o mesmo deve responder como se sente quando realiza cada uma das posturas considerando as opções ofertadas pela Escala de Borg. 46 Segundo Borg (1998) adaptado por Serranheira (2007) para se utilizar a escala, deve-se seguir os seguintes passos para explicar ao indivíduo: 
1 – Observar as expressões verbais de esforço/força; 
2 – Escolher o número associado à expressão verbal; 
3 – Repensar o número de acordo com o esforço sentido e atribuindo-lhe o valor que melhor representa esse esforço (exemplo: se a percepção de um esforço é “muito fraco” então deve-se escolher o valor 1 da escala; todavia, se depois de analisar o valor decidir que é pouco superior a 1, pode atribuir-lhe valores que de 1,1 a 1,9);
4 – Responder o que sente, isto é, a associação da expressão verbal com o esforço que realmente efetua; não responder o que espera ser a resposta correta (responder por si, tentando não ser influenciado pelo que os outros pensam, ou pelo que pode ser considerado como a resposta mais comum, mais aceitável); 
5 – Ser o mais honesto possível, tentando não sub ou sobrevalorizar as intensidades do esforço efetuado. O colaborador pode avaliar a realização da postura como: sem esforço (0); muito muito fraco (0,5); muito fraco (1); fraco (2); moderado (3); forte (5); muito forte (7); ou extremamente forte (10). Desta forma, o mesmo ou o próprio analista pode assinalar o valor ou a nomenclatura que expressa o esforço realizado durante a tarefa. Desta maneira, 0 (zero) representa ausência de esforço e 10 (dez) associa-se a um esforço extremamente intenso, isto é, o esforço máximo. 
     Outros níveis podem obter as seguintes interpretações: 1 – Esforço muito ligeiro: numa situação normal, será um esforço como deslocar-se, movimentar os membros superiores; 3 – Esforço moderado: mediano sem dificuldades excepcionais e passíveis de continuar a execução da atividade sem instalação de fadiga; 5 – Esforço intenso: é sentido como um esforço elevado que provoca fadiga, mas é possível continuar a realizá-lo se existirem pausas que permitam a recuperação fisiológica; 47 7 – Esforço muito intenso, muito exigente: é um esforço possível de realizar apesar de ser necessário “puxar pela pessoa”, como por exemplo, por meio de um incentivo; é um esforço muito pesado, que provoca uma sensação de grande fadiga; 10 – Esforço extremamente intenso: é o máximo esforço efetuado; na generalidade dos casos é o esforço mais extenuante alguma vez efetuado e sentido; A aplicação da escala de Borg CR-10 deve permitir avaliar a sensação/percepção do esforço realizado, da forma mais exata possível.       
     As respostas não devem subvalorizar ou sobrestimar a avaliação. É a percepção do trabalhador (respondente) que deve ser traduzida nesta escala. O que “os outros” pensam ou sentem, neste caso, não deve ser considerado. Histórico de avaliação da Escala de Borg: Holzmann (1982) e Kadefors et al. (1993) preconizam que a escala CR-10 de Borg deve ser aplicada anteriormente à uma análise ergonômica para avaliar a dor e desconforto sentida pelos indivíduos analisados. A escala de Borg aplicada no estudo de Serranheira (2007) no setor automotivo foi dividida em 2 escalas: intensidade média de esforço e máxima de esforço. 
    A estimativa de intensidade média de esforço permitiu identificar, na generalidade, a existência de relações moderadas e significativas com as Ferramentas de avaliação integrada do risco, exceto com a Ferramenta RULA (rsp = 0,219). Relativamente à estimativa máxima de esforço destacaram-se ligeiros aumentos das relações com as Ferramentas, passando a relação com RULA (rsp = 0,237). Assim, os resultados revelam relações moderadas e elevadas de registros obtidos junto dos trabalhadores (aplicação da escala de BORG) com os resultados da avaliação do fator de risco e aplicação de força em cada Ferramenta de avaliação de risco, exceto para a Ferramenta RULA.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO ERGONÔMICA

    Segundo Cruz et al (2015 apud IIDA 2005) é o estudo da adaptação da atividade laboral ao indivíduo, tendo como ponto de partida a análise das características do trabalhador. A partir disso, realiza-se então o projeto do trabalho a ser executado, adequando-o as capacidades e limitações do trabalhador, a fim de preservar a saúde do mesmo; Conforme Rabardel (1995), instrumentos são dispositivos utilizados como recurso para determinar os riscos inerentes a relação o homem e o trabalho. Veja abaixo os métodos desenvolvidos:
1 Ovako Working Posture Analysis System (OWAS);
Ponto de partida:
    - Análise fotográficas das posturas;
    - Combinação de posturas (Braços, dorso e
       pernas).







       WinOWAS.

Surgiu nos EUA, em 1980;

2 National Institute for Ocupational Safety and Health (NIOSH)
Ponto de partida:
     - Levantamento de cargas.
Quatro aspectos básicos:
     - Epidemiológico;          - Biomecânico;
     - Psicológico;                  - Fisiológico.
Limite de peso recomendado (LPR):
LPR = 23 x FDH x FAV x FDVP x FFL x FRLT x FQPC
                               OU
LPR = 23 x HM x VM x DM x FM x AM x CM

Índice de Levantamento (IL):
IL menor que 1,0 –> condição segura – chance mínima de lesão;
IL entre 1,0 e 2,0 –> condição insegura – médio risco de lesão;
IL acima de 2,0 –> condição insegura – alto risco de lesão.

Softwere do NIOSH



3 Método rula
(Análise rápida dos MMSS)
    É um método de análise desenvolvido para o uso em investigações ergonômicas de locais de trabalho onde foram reportadas doenças dos MMSS ligadas ao trabalho. Não requer equipamentos especiais.
ü  Proporcionar a possibilidade de focalizar rapidamente uma população de trabalhadores com vistas a identificar os riscos das doenças dos MMSS associadas ao trabalho;

ü  Identificar os esforços musculares associados a postura;

4 Método reba
    É um método desenvolvido para avaliar posturas de trabalho imprevisíveis. Orientar o avaliador sobre a necessidade ou não de planejar ações corretivas sobre determinadas posturas; Dividir o corpo em segmentos para ser codificados individualmente permitindo a avaliação por segmento ( riscos de lesões musculares, atividade muscular dinâmica e estática, mudanças bruscas e posturas instáveis).
ü  Orientar o avaliador sobre a necessidade ou não de planejar ações corretivas sobre determinadas posturas;
ü  Dividir o corpo em segmentos para ser codificados individualmente permitindo a avaliação por segmento ( riscos de lesões musculares, atividade muscular dinâmica e estática, mudanças bruscas e posturas instáveis).


5 Método instrain
     Avaliar o risco de lesões em punhos e mãos. Determinar a variável dos dados obtidos, aplicar no fator predefinido que multiplicara cada uma das variáveis.
ü  Intensidade de esforço;
ü  Duração do esforço por ciclo de trabalho;
ü  Frequência do esforço;
ü  Postura de mão/punho;
ü  Ritmo de trabalho;
ü  Duração do trabalho;

6 Metod ocra
       Através de um modelo de cálculos, quantificar e avaliar os riscos presentes nas atividades de trabalho.
ü  Tempo  de duração do trabalho;
ü  Frequências de ações técnicas executadas;
ü  Força empregada;
ü  Postura de membros superiores;
ü  Repetividade;
ü  Carência  de períodos de recuperação fisiológica

7 Método 3dssp
       Utilizado para avaliar esforço humano e o grau de sobrecarga para as referidas articulações, com base em cálculos. Grau de sobrecarga para as diversas  articulações nas tarefas de elevar, carregar, empurrar e puxar carga.
8 Método plbel
        Questionário com perguntas relacionadas ás medidas físicas e organizacional.
Postura e movimento de trabalho; Projeto de ferrramentas ou posto de trabalho; Condições organizacionais e ambientais;

9 Método ewa
    Instrumento para analise especificada do local de trabalho, por meio de itens relacionados a aspectos fisiológicos e biomecânicos, aspectos psicológicos, de higiene ocupacional em um modelo colaborativo com os trabalhadores e organização do trabalho.
ü  Espaço de trabalho;
ü  Atividade física geral/Manuseio de carga;
ü  Postura e movimentos;
ü  Risco de acidentes;
ü  Conteúdo e restrições do trabalho;
ü  Comunicação e contatos pessoais;
ü  Tomada de decisão;
ü  Repetitividade;
ü  Atenção;
Iluminação/Temperatura/Ruído;

10 Método osha
        Instrumento de fatores de risco com característica de avaliar ou interver no local de trabalho.
ü  Retitividade de membro superior;
ü  Postura;
ü  Contato postural;
ü  Vibrações;
ü  Ambiente;
ü  Cadência de trabalho.

11 Método qec
      Analisar a exposição em quatro regiões  corporais (região lombar, região cervical, ombro e punha/mão.
Postura (região lombar, região cervical, ombro e punho/mão); Repetitividade de movimento;

12 Método eja
         Quantifica a intensidade do risco em um posto de trabalho.
Aplica questionário com 40 questões relacionadas aos movimentos biomecânicos no ambiente de trabalho. Força de empunhadura; Força de aperto com os dedos; Inclinação e rotação dos punhos e mãos; Elevação dos cotovelos e posicionamento das mãos em relação aos ombros; Inclinação da cabeça para cima e para baixo; Carregamento de peso; Movimentação de carga para frente ou para trás; Movimentos repetitivos com as mãos, dedos, cotovelos, antebraços, ombros;
ü  Utilização de ferramentas vibratórias;
ü  Esforço para puxar objetos com as duas mãos;
ü  Esforço de puxa ou empurrar objetos com uma mão;
ü  Esforço por compressão dos dedos;
ü  Uso das mão como ferramentas;
ü  Esforço concentrado em alguma pequena área da pele;
ü  Inclinação extrema do dorso; Excesso de horas extras;

13 Método sue
        Baseia-se na fadiga de grupos musculares na atividade de trabalho.
Estuda o esforço, duração e frequência referida por parte do corpo. ( nível e duração do esforço antes do relaxamento). Esforço muscular (pescoço/ombro, costas, braço/cotovelos, punhos/dedos, pernas/joelho e pés/dedos) considerando o nível, tempo e frequência do esforço.




ERGONOMIA

    A expressão ergonomia origina-se dos termos grego “ergon” que significa “trabalho” e “nomos”, que significa “regras ou normas”. A ergonomia é a ciência que ajusta o trabalhador às condições laborais, numa tentativa de fazer com que o empregado permaneça confortável, seguro e produtivo no exercício da função. Como consequência, a ergonomia também previne a ocorrência de acidentes e doenças do trabalho.
   O Ministério do Trabalho e Emprego, através da Norma Regulamentadora (NR-17), orienta que toda empresa tenha uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET), documento onde o profissional indica as melhorias que devem ser feitas para que o local atenda as condições mínimas de ergonomia.
   A norma regulamentadora nº 17 tem como objetivo estabelecer os parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. A norma regulamentadora nº 17 apresenta a seguinte estrutura:
       Levantamento, transporte e descarga individual de materiais;
       Mobiliário dos postos de trabalho;
       Equipamentos dos postos de trabalho;
       Condições ambientais de trabalho; Organização do trabalho.
   Além disso, a norma regulamentadora nº 17 apresenta 2 (dois) anexos acerca das condições ergonômicas nas seguintes áreas de trabalho:
       Anexo I – Trabalho dos Operadores de Check outs;
       Anexo II – Trabalho em Teleatendimento/Telemarketing.
    A aplicação da ergonomia no ambiente de trabalho pode ser estabelecida nas seguintes etapas: Concepção do Programa de Ergonomia – Nesta fase baseia-se no levantamento dos riscos ergonômicos e na concepção do programa de ergonomia; Conscientização dos Funcionários – Nesta fase busca através de treinamentos e palestras a conscientização dos funcionários acerca dos riscos ergonômicos e sua prevenção; Correção do Programa de Ergonomia – Nesta fase baseia-se na correção e no aperfeiçoamento do programa de ergonomia aplicado no ambiente de trabalho.
    De modo geral, a ergonomia nas empresas pode ser aplicada através da cinesioterapia laboral, intervalos regulares e rotatividade de tarefas, além da adaptação do ambiente de trabalho de acordo com a função e carga horária do funcionário.









CAMPOS CONTEMPORÂNEOS DA ERGONOMIA


  • QUAIS AS ATRIBUIÇÕES DO FISIOTERAPEUTA NA ERGONOMIA DO TRABALHO?
As atribuições do Fisioterapeuta do Trabalho são:


a) Prevenção do desconforto ou queixas músculo-esqueléticas nas atividades laborais;
b) Estudo ergonômico do trabalho, junto à equipe de saúde e segurança do trabalho;
c) Intervenções ergonômicas de correção, conscientização ou sensibilização nas empresas;
d) Palestras de conscientização, capacitação e treinamento preventivo de doenças ocupacionais;
e) Orientações posturais e ergonômicas aos trabalhadores, fora do ambiente de trabalho e nos postos de trabalho durante a execução de suas atividades ocupacionais;
f) Avaliação postural e análise biomecânica das tarefas nos postos de trabalho, promovendo a adequação do posto e das posturas para um melhor desempenho;
g) Desenvolvimento de programas de ginástica laboral;
h) Tratamento das patologias ou queixas músculo-esqueléticas, através de ambulatório na empresa ou ambulatório / clínica fora da empresa.
i) Promover ações terapêuticas preventivas às instalações de processos que levam a incapacidade funcional do trabalho.
j) Analisar os fatores ambientais, contributivos ao conhecimento de distúrbios funcionais laborais.
k) Desenvolver programas coletivos, que contribuem para a diminuição dos riscos de acidente de trabalho.


CAMPOS CONTEMPORÂNEOS DA ERGONOMIA




     Para uma ordenação desse campo empregamos uma classificação destes conteúdos, sugerida pela International Ergonomics Association (IEA): ergonomia física, cognitiva e organizacional. Para simplificar essa divisão subdividiremos a ergonomia física em ergonomia do posto e ergonomia ambiental, formando assim nossa divisão de conteúdos.
     Assim sendo, podemos formar uma base de conhecimento em ergonomia através dos constituintes físicos, cognitivos e organizacionais, mas sem esperar que cada um destes elementos influa de forma isolada e comportada na realidade complexa do trabalho.  Ergonomia física por ergonomia física entenderemos o foco da ergonomia sobre os aspectos físicos de uma situação de trabalho. E eles são inegavelmente reais: trabalhar engaja o corpo do trabalhador exigindo-os de várias formas ao longo da jornada de trabalho. A ergonomia física busca adequar estas exigências aos limites e capacidades do corpo, através do projeto de interfaces adequadas para o relacionamento físico homem-máquina : as interfaces de informação (displays) as interfaces de acionamentos (controles). Para tanto são necessários diversos conhecimentos sobre o corpo e o ambiente físico onde a atividade se desenvolve.
     Ergonomia cognitiva, a cognição trata da ergonomia dos aspectos mentais da atividade de trabalho de pessoas e indivíduos, homens e mulheres. O olhar do ergonomista não se contenta em apontar características humanas pertinentes aos projetos de postos de trabalho ou de se limitar a entender a atividade humana nos processos de trabalho de uma ótica puramente física. Nesse movimento de ideias apreende-se - o que os filósofos gregos já discutiam - a importância dos atos de pensamento do trabalhador na consecução de suas tarefas. E com isso, apreendemos que os trabalhadores não são apenas simples executantes, são capazes de detectar sinais e indícios importantes, são operadores competentes e são organizados entre si para trabalhar. E que, nesse contexto, podem até cometer erros. Ergonomia organizacional, o campo da ergonomia organizacional se constrói a partir de uma constatação óbvia, que toda a atividade de trabalho ocorre no âmbito de organizações. Esse campo que tem tido uma formidável desenvolvimento é conhecido internacionalmente como ODAM (Organizational Design and Management), para alguns significando um sinônimo de macroergonomia.

LER/DORT


  • HÁ NOVAS DESCOBERTAS QUE POSSAM MUDAR A INTERPRETAÇÃO ATUAL DA LER/DORT?
    É possível achar em alguns trabalhos científicos e análises de especialistas que passaram a evidenciar a associação de muitos casos de LER/DORT com fatores sociais, familiares, econômicos e com o estresse ou a insatisfação no trabalho, inclusive de casos de lombalgia e outras dores nas costas decorrentes do trabalho. Isso explicava porque muitos, mesmo não envolvidos na execução de trabalhos repetitivos, apresentavam sintomas parecidos. 
      O chamado modelo biopsicossocial passou a ser mais aceito na comunidade científica envolvida com esses problemas musculoesqueléticos e de dor crônica mal esclarecida. Os fatores mecânicos (repetição, força, posturas) continuavam presentes, mas tiveram sua importância reduzida frente a outros fatores tão ou mais importantes (insatisfação no trabalho, depressão, ansiedade ou problemas pessoais, por exemplo). 
     O modelo biopsicossocial explicava melhor as características comuns desse grupo de pacientes, inclusive sua característica litigante frequente. Passou-se a demonstrar que LER/DORT se referia a várias doenças diferentes, sem relação com o trabalho, enfatizando-se que deviam ser devidamente identificadas, individualizadas e tratadas.  Algumas delas ocorrem com maior frequência. Há estudos demonstrando que um grande número delas pode ter relação com a depressão ou com a ansiedade, como a fibromialgia e a síndrome miofascial, contabilizando em torno de 60%-70% de diagnósticos equivocados e incluídos como LER/DORT. Isso corrobora tanto a adequação do modelo biopsicossocial quanto a crescente impropriedade do uso de uma sigla única. 

LER/DORT

    
     
     A sigla LER significa lesões por esforços repetitivos, sendo também denominada como distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho - DORT. São doenças caracterizadas pelo desgaste de estruturas do sistema músculo-esquelético que atingem várias categorias profissionais. “Segundo a norma técnica do INSS sobre DORT (Ordem de Serviço no. 606/1998), conceitua-se as lesões por esforços repetitivos como uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não e alterações objetivas, que se manifesta principalmente no pescoço, cintura escapular e/ou membros superiores em decorrência do trabalho, podendo afetar tendões, músculos e nervos periféricos. O diagnóstico anatômico preciso desses eventos é difícil, particularmente em casos sub-agudos e crônicos, e o nexo com o trabalho tem sido objeto de questionamento, apesar das evidencias epidemiológicas e ergonômicas.”
    Vale mencionar que as doenças relacionadas ao trabalho têm implicações legais que atingem a vida do cidadão. O seu reconhecimento é regido por normas e legislações específicas a fim de garantir a saúde e os direitos dos trabalhadores. Assim, os chamados "direitos da personalidade" protegem a integridade física da pessoa (artigos 5º, da CF/88 e 11 a 21 do CC/2002), assim como asseguram medidas que reduzam os riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança (artigos 7º, XXII, da CF/88, 157 da CLT e NR-17 do MTE). Neste sentido, se o trabalhador perceber sinais de LER deve procurar um médico e paralisar imediatamente as suas atividades. Outro passo importante é dar atenção à ergonomia, melhorando as suas condições de trabalho.
      Para Oliveira (2002) a LER/DORT pode ser classificada em quatro graus:
GRAU I: Sensação de peso e desconforto no membro afetado. Dor espontânea no local, às vezes com pontadas ocasionais durante a jornada de trabalho, que não interferem na produtividade. Essa dor é leve e melhora com o repouso. Não há sinais clínicos. 
GRAU II: Dor mais persistente e mais intensa. Aparece durante a jornada de trabalho de forma contínua. É tolerável e permite o desempenho de atividade, mas afeta o rendimento nos períodos de maior esforço. 
GRAU III: A dor torna-se mais persistente, mais forte e tem irradiação mais definida. Aparecem mais vezes fora da jornada, especialmente à noite. Perde-se um pouco a força muscular. 
GRAU IV: Dor forte, contínua, por vezes insuportável, levando ao intenso sofrimento. A dor se acentua com os movimentos, estendendo-se a todo o membro afetado.
   Quando um ou mais fatores organizacionais no ambiente profissional não são respeitados, são maiores as chances de adquirir um distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho. Neste contexto, as causas da LER / DORT estão diretamente relacionadas a esses fatores. São eles:
  • excesso de movimentos repetitivos;
  • postura incorreta;
  • preparo físico insuficiente;
  • ausência de pausa e descanso;
  • local de trabalho — mesas e cadeiras — inadequado;
  • jornadas excessivas;
  • Além disso, incluem-se os fatores psicossociais, como: ansiedade, estresse ocupacional devido à pressão, ambiente pesado, busca por perfeccionismo, depressão, dentre outros. 
   Dentre os sintomas mais comuns da LER e DORT, podemos citar:
  • dor localizada;
  • desconforto físico no final do dia;
  • cansaço excessivo;
  • formigamento nas extremidades;
  • paralisia e parestesia;
  • perda funcional;
  • inchaço local.
      O programa de Cinesioterapia Laboral (CL) tem como objetivo prevenir a LER/DORT, além de interferir positivamente no relacionamento interpessoal, aliviando as dores corporais proporcionando benefícios tanto para o trabalhador quanto para a empresa apresentando resultados mais rápidos e diretos na saúde dos trabalhadores (OLIVEIRA, 2006).

        A Cinesioterapia Laboral promove adaptações fisiológicas, físicas e psíquicas, sua prática é exercida no ambiente de trabalho através de exercícios dirigidos e adequados para cada setor ou departamento da empresa. No momento em que a musculatura está sendo exercitada, há um aumento da temperatura corporal, tecidual e da circulação sanguínea provocados por adaptações fisiológicas. As adaptações físicas proporcionam melhoria na flexibilidade, mobilidade e postura do trabalhador. As psicológicas envolvem mudança de rotina favorecendo o relacionamento patrão/empregado e a integração entre pessoas que circulam pelo ambiente. O programa de CL através da comunicação ativa expressada pelo corpo e pela cooperação nas atividades exercidas em duplas ou em grupos proporciona um convívio social diário, estabelecendo um encontro marcado com a saúde uma vez que integra as pessoas, e o espírito de equipe passa a prevalecer de forma que possam se conhecer melhor. Quando estes se exercitam em grupos trabalhando o espírito de equipe, proporciona além de uma melhor qualidade na produtividade, um crescimento pessoal do funcionário, essa mudança de rotina na empresa melhora consequentemente a saúde mental dos mesmos (LIMA 2003, p 8).