- HÁ NOVAS DESCOBERTAS QUE POSSAM MUDAR A INTERPRETAÇÃO ATUAL DA LER/DORT?
É possível achar em alguns trabalhos científicos e análises de especialistas que passaram a evidenciar a associação de muitos casos de LER/DORT com fatores
sociais, familiares, econômicos e com o estresse ou a insatisfação no trabalho,
inclusive de casos de lombalgia e outras dores nas costas decorrentes do trabalho. Isso explicava
porque muitos, mesmo não envolvidos na execução de trabalhos repetitivos,
apresentavam sintomas parecidos.
O chamado modelo biopsicossocial passou a ser
mais aceito na comunidade científica envolvida com esses problemas
musculoesqueléticos e de dor crônica mal esclarecida. Os fatores mecânicos
(repetição, força, posturas) continuavam presentes, mas tiveram sua importância
reduzida frente a outros fatores tão ou mais importantes (insatisfação no
trabalho, depressão, ansiedade ou problemas pessoais, por exemplo).
O modelo
biopsicossocial explicava melhor as características comuns desse grupo de
pacientes, inclusive sua característica litigante frequente. Passou-se a
demonstrar que LER/DORT se referia a várias doenças diferentes, sem relação com
o trabalho, enfatizando-se que deviam ser devidamente identificadas,
individualizadas e tratadas. Algumas delas ocorrem com maior frequência. Há
estudos demonstrando que um grande número delas pode ter relação com a
depressão ou com a ansiedade, como a fibromialgia e a síndrome miofascial,
contabilizando em torno de 60%-70% de diagnósticos equivocados e incluídos como LER/DORT. Isso
corrobora tanto a adequação do modelo biopsicossocial quanto a crescente
impropriedade do uso de uma sigla única.
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